Varizes Pélvicas: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento em Fortaleza
O que são varizes pélvicas
Varizes pélvicas são veias dilatadas e com refluxo na pelve, ao redor do útero e dos ovários. O mecanismo é o mesmo das varizes das pernas: as válvulas das veias ovarianas e ilíacas internas falham, o sangue se acumula e as veias vão dilatando.
Quando essas varizes causam sintomas, o quadro é chamado de síndrome da congestão pélvica. Estima-se que ela responda por uma parcela importante dos casos de dor pélvica crônica em mulheres, e ainda assim é pouco lembrada.
Sou o Dr. Victor Hugo, cirurgião vascular em Fortaleza (CRM 15051 | RQE 9653), ex-professor da Faculdade de Medicina Christus e criador do Modelo VHG™. Muitas pacientes chegam ao consultório depois de anos de exames sem resposta. Vou explicar como reconhecer, como se diagnostica e como se trata.
Quem tem mais chance de desenvolver
- Mulheres em idade fértil, em geral entre 20 e 50 anos
- Quem já teve filhos: cada gestação dilata as veias pélvicas, e parte dessa dilatação pode ficar
- Quem tem varizes nas pernas em locais atípicos ou varizes que voltam após tratamento
- Histórico familiar de doença venosa
Compressões venosas, como a síndrome de May-Thurner (compressão da veia ilíaca esquerda) e a síndrome de Nutcracker (compressão da veia renal esquerda), também podem causar congestão pélvica e precisam ser identificadas.
Sintomas das varizes pélvicas
Sintomas principais
- Dor pélvica crônica: dor surda, em peso, na parte baixa do abdome, por mais de 6 meses
- Piora ao ficar em pé e ao longo do dia; melhora ao deitar
- Dor durante ou depois da relação sexual
- Piora no período menstrual
- Sensação de peso na pelve, parecida com o peso nas pernas de quem tem varizes
Sintomas associados
- Vontade frequente ou urgente de urinar
- Distensão abdominal
- Varizes na vulva, no períneo, na região glútea ou na face posterior e interna da coxa
- Varizes que reaparecem nas pernas após tratamento
Varizes em locais atípicos: um sinal importante
Varizes na vulva, no períneo, no glúteo ou na parte de trás da coxa quase sempre são alimentadas por refluxo que vem da pelve. Nesses casos, tratar só a perna sem abordar a origem leva a recidiva.
Por que o diagnóstico demora
Os sintomas se confundem com endometriose, miomas, cistite e doença inflamatória pélvica. O exame ginecológico de rotina não mostra as veias, e o ultrassom pélvico feito com a paciente deitada e sem manobras pode não captar o refluxo. Além disso, muitas pacientes não relatam a dor na relação sexual por constrangimento.
Como é feito o diagnóstico
Ultrassom Doppler transvaginal ou transabdominal
É o primeiro exame. Mostra veias pélvicas dilatadas (em geral com mais de 5 a 6 mm) e refluxo, principalmente com manobra de Valsalva. A sensibilidade aumenta quando o exame é feito com a paciente inclinada ou em pé.
Doppler dos membros inferiores
Na Clínica VHG, o ultrassom Doppler faz parte da avaliação inicial. Ele identifica pontos de fuga do refluxo pélvico para as pernas, como veias na virilha, na vulva e na face posterior da coxa, e mostra a conexão entre a pelve e as varizes das pernas.
Angiotomografia ou angiorressonância
Detalham a anatomia venosa, medem o calibre das veias ovarianas e identificam compressões como May-Thurner e Nutcracker.
Flebografia
É o exame mais preciso: contraste injetado nas veias pélvicas e visualizado por raio-X. Como é invasiva, costuma ser feita no mesmo momento da embolização, quando ela já está indicada.
Tratamento das varizes pélvicas
Medidas conservadoras
Para sintomas leves ou como primeiro passo: analgesia, medicamentos venoativos para alívio de sintomas, atividade física regular e evitar longos períodos em pé. Tratamentos hormonais, como progestágenos, podem reduzir a dor em algumas pacientes e são conduzidos pelo ginecologista.
Embolização
É o tratamento minimamente invasivo de escolha para casos moderados a graves. Um cateter é levado até as veias ovarianas ou ilíacas internas por uma punção na virilha ou no pescoço, e as veias doentes são fechadas com molas e esclerosante. É feita com anestesia local e sedação, em ambiente hospitalar, por especialista em cirurgia endovascular, e a paciente costuma ter alta no mesmo dia ou no dia seguinte. A maioria das pacientes relata melhora da dor nas semanas seguintes, mas os resultados variam.
Quando há compressão venosa (May-Thurner), pode ser necessário colocar um stent na veia ilíaca.
Tratamento das varizes de perna e vulvares
Depois de tratar a origem pélvica, ou junto com ela em casos selecionados, as varizes vulvares e das pernas são tratadas com escleroterapia com espuma, escleroterapia ampliada ou endolaser, conforme o calibre.
Como funciona na Clínica VHG
Na clínica, a gente faz a avaliação completa com Doppler e VeinViewer, identifica o refluxo pélvico e os pontos de fuga, e trata as varizes vulvares e dos membros inferiores associadas. Quando a embolização está indicada, encaminho para o especialista endovascular que realiza o procedimento em hospital, e sigo acompanhando o tratamento das pernas.
Por que tratar a origem
Se existe refluxo pélvico alimentando as varizes das pernas e só as pernas são tratadas, elas voltam. É como enxugar o chão com o cano estourado. Se você já tratou varizes e elas reapareceram na face interna ou posterior da coxa, investigue a pelve.
Perguntas frequentes
Varizes pélvicas atrapalham engravidar?
Em geral não são causa direta de infertilidade. A dor pode atrapalhar a vida sexual e, indiretamente, as tentativas. Se a paciente planeja engravidar, o momento do tratamento é discutido com o ginecologista.
Varizes pélvicas aparecem no ultrassom de rotina?
Nem sempre. O ultrassom comum, com a paciente deitada e sem manobra de Valsalva, pode não mostrar o refluxo. Peça um Doppler pélvico direcionado, com manobras, feito por quem conhece a condição.
A Clínica VHG faz a embolização?
Não. A embolização é feita em hospital por especialista endovascular. Na clínica, a gente faz o diagnóstico, trata as varizes de perna e vulvares associadas e encaminha a embolização quando ela é indicada.
Homens têm varizes pélvicas?
A forma mais comum no homem é a varicocele, varizes no escroto, que pode causar dor e afetar a fertilidade e é avaliada pelo urologista.
Varizes pélvicas podem voltar após a embolização?
Podem, embora a recorrência seja pouco frequente quando o procedimento é bem indicado. O acompanhamento permite tratar recidivas cedo.
Se você convive com dor pélvica que piora em pé e melhora deitada, dor na relação ou varizes na vulva e nas coxas, a origem pode estar na pelve. Agende sua avaliação com Doppler na Clínica VHG (RioMar Trade Center, Papicu) pelo WhatsApp (85) 99104-2483 e vamos investigar a causa. Leia também sobre varizes na gravidez, que muitas vezes é onde tudo começa.