Insuficiência Venosa Crônica: Sintomas e Tratamento em Fortaleza
O que é insuficiência venosa crônica?
Dentro das veias das pernas existem válvulas que funcionam como pequenas portas de mão única: deixam o sangue subir em direção ao coração e impedem que ele volte. Quando essas válvulas falham, parte do sangue desce de volta (é o que chamamos de refluxo) e se acumula nas pernas.
O resultado é uma pressão dentro das veias que não deveria existir, a hipertensão venosa. É ela que, ao longo dos anos, produz desde vasinhos e varizes até inchaço, escurecimento da pele e, nos casos mais avançados, feridas que não cicatrizam.
A insuficiência venosa crônica (IVC) é uma das doenças vasculares mais comuns. Estudos populacionais brasileiros e internacionais mostram que mais de um terço dos adultos têm algum grau de doença venosa, e a frequência aumenta com a idade.
Sou o Dr. Victor Hugo, cirurgião vascular em Fortaleza (CRM 15051 | RQE 9653), ex-professor da Faculdade de Medicina Christus e criador do Modelo VHG™. Vou explicar como a doença evolui, como é diagnosticada e o que pode ser feito em cada fase.
Os estágios da doença: classificação CEAP
A classificação CEAP (versão 2020) é o padrão internacional para estadiar a doença venosa. A letra C descreve o que se vê na perna:
C0 e C1: sem sinal visível, ou vasinhos e veias reticulares
No C0 a pessoa pode ter sintomas sem nenhuma veia aparente. No C1 aparecem as telangiectasias (vasinhos vermelhos ou roxos com menos de 1 mm) e as veias reticulares (esverdeadas ou azuladas, de 1 a 3 mm). Muita gente trata como questão só estética, mas em parte dos casos já existe uma veia nutridora com refluxo por trás.
C2: varizes
Veias dilatadas e tortuosas, com mais de 3 mm, visíveis e palpáveis. Os sintomas ficam mais claros: peso, dor, cansaço, queimação e cãibras noturnas, com piora ao longo do dia e no calor.
C3: edema
Inchaço no tornozelo e no pé que piora no fim do dia e melhora com o repouso. É o sinal de que a hipertensão venosa já está sobrecarregando os tecidos. Falo mais sobre isso em inchaço nas pernas e circulação.
C4: alterações na pele
- C4a: manchas escurecidas (hiperpigmentação por hemossiderina) e eczema venoso, com coceira e descamação
- C4b: lipodermatoesclerose, que é o endurecimento da pele e do tecido abaixo dela, e atrofia branca. A perna pode ganhar o formato de "garrafa invertida"
- C4c: corona phlebectatica, a rede de vasinhos ao redor do tornozelo, incluída na CEAP 2020
C5: úlcera cicatrizada
A pessoa já teve uma ferida venosa que fechou. O risco de reabrir é alto se a causa não for tratada.
C6: úlcera ativa
Ferida aberta, geralmente na face interna do tornozelo, dolorosa e de cicatrização lenta. Compromete a qualidade de vida e a capacidade de trabalhar.
A IVC é crônica e progressiva, mas a velocidade varia muito de pessoa para pessoa. O que a literatura mostra com clareza é que tratar o refluxo cedo reduz a chance de chegar aos estágios avançados.
Causas e fatores de risco
A base da doença é a falha das válvulas e o enfraquecimento da parede das veias, com forte componente hereditário. Ter pai e mãe com varizes aumenta muito o risco.
Outros fatores que pesam:
- Histórico familiar
- Idade
- Sexo feminino e influências hormonais: gestações, anticoncepcionais, reposição hormonal
- Sobrepeso e obesidade
- Sedentarismo
- Muitas horas em pé ou sentado
- Trombose venosa profunda prévia, que destrói válvulas e pode deixar obstrução
O calor de Fortaleza não causa a doença, mas dilata as veias e piora os sintomas o ano inteiro.
Sintomas
No início
- Peso e cansaço nas pernas
- Dor difusa, queimação ou formigamento
- Cãibras noturnas
- Pernas inquietas
Com a progressão
- Inchaço crescente no tornozelo
- Escurecimento e coceira na pele
- Endurecimento do tecido
- Ferida que demora a cicatrizar
O padrão típico: piora ao longo do dia, no calor e ao ficar parado; melhora ao elevar as pernas, com a meia de compressão e com a caminhada. Se a dor não segue esse padrão, outras causas precisam ser investigadas.
Como é feito o diagnóstico
- Exame clínico das pernas, com a classificação CEAP
- Ultrassom Doppler venoso: o exame que define o diagnóstico. Mostra onde há refluxo, o calibre das veias, se existe obstrução ou trombose antiga. É ele que orienta o tratamento
- VeinViewer: infravermelho que mostra as veias nutridoras até 10 mm abaixo da pele, útil para planejar o tratamento de microvarizes e vasinhos
Na Clínica VHG, a avaliação inicial custa R$ 600 e inclui, no mesmo dia, o Doppler de planejamento e o VeinViewer. Você sai da consulta com o diagnóstico e o plano de cuidado.
Tratamento da insuficiência venosa crônica
1. Tratar o refluxo e as veias doentes
Conforme as diretrizes da Sociedade Europeia de Cirurgia Vascular (ESVS 2022), tratar o refluxo da safena é a conduta preferencial para pacientes sintomáticos, e a ablação térmica é a primeira escolha:
- Endolaser: padrão-ouro para safenas e vasos grossos. Anestesia local tumescente, sem internação, retorno rápido à rotina
- Espuma densa: para veias tributárias calibrosas e casos selecionados
- Escleroterapia ampliada: para microvarizes e vasinhos, muitas vezes combinada com laser transdérmico
A Clínica VHG não realiza cirurgia convencional com cortes. Dentro do Modelo VHG™, as técnicas são combinadas conforme o mapeamento de cada perna, tratando primeiro a origem e depois a superfície.
2. Compressão
A meia de compressão graduada é a base do controle dos sintomas e do edema. No dia a dia, a faixa mais usada é de 20 a 30 mmHg, e a compressão é ajustada após os procedimentos, conforme a orientação. Em úlcera ativa, a compressão adequada é o principal fator de cicatrização.
3. Atividade física e peso
Caminhada, natação, hidroginástica e bicicleta ativam a bomba da panturrilha. Controlar o peso reduz a pressão sobre o sistema venoso.
4. Medicamentos venoativos
Diosmina, hesperidina e outros flebotônicos podem reduzir os sintomas e o edema, com recomendação de uso nas diretrizes. Mas são complementares: não fecham veia doente nem substituem o tratamento do refluxo.
5. Cuidados com a pele
Hidratação diária, proteção contra traumas e tratamento precoce do eczema previnem feridas. Para manchas de hemossiderina, a clínica dispõe do ACROMA laser.
Perguntas frequentes
Insuficiência venosa crônica tem cura?
É uma doença crônica com base genética, então a predisposição permanece. O que a gente consegue é tratar as veias doentes, controlar bem os sintomas e reduzir muito a chance de progressão, com acompanhamento periódico.
Qual a diferença entre insuficiência venosa e varizes?
A IVC é a doença. Varizes são uma das formas como ela aparece. Dá para ter insuficiência venosa com inchaço e dor sem nenhuma variz visível, e o Doppler é o que mostra isso.
Insuficiência venosa causa trombose?
Varizes aumentam o risco de tromboflebite superficial. A relação com trombose venosa profunda é indireta, mas varizes calibrosas são um fator de risco reconhecido, e outros fatores costumam estar envolvidos.
Vou precisar usar meia para sempre?
Depende do estágio e da resposta ao tratamento. Depois de tratar o refluxo, muitos pacientes passam a usar a meia só em situações específicas, como viagens e dias de muito tempo em pé. Isso é definido caso a caso.
A IVC pode levar à amputação?
É muito raro, porque a IVC não compromete a chegada de sangue arterial aos tecidos. O risco real é a úlcera venosa crônica, que pode infectar e ser muito limitante. Por isso tratar cedo importa.
Se você tem peso, inchaço, escurecimento da pele ou varizes que estão avançando, a insuficiência venosa não vai regredir sozinha. Agende sua avaliação na Clínica VHG, no RioMar Trade Center (Papicu), pelo WhatsApp (85) 99104-2483. Doppler e VeinViewer no mesmo dia, e um plano de cuidado para o estágio em que a sua doença está.