Escleroterapia com Espuma ou Cirurgia de Varizes? Como Decidir
"Doutor, no meu caso é espuma ou cirurgia?"
Essa é uma das perguntas que mais escuto. E a dúvida é justa, porque a escolha da técnica muda tudo: o resultado, a recuperação e a chance de a variz voltar.
Sou o Dr. Victor Hugo, cirurgião vascular em Fortaleza (CRM 15051 | RQE 9653), ex-professor da Faculdade de Medicina Christus e criador do Modelo VHG™. Vou ser direto: não existe técnica melhor para todo mundo. Existe a técnica certa para cada veia. E hoje a comparação real não é mais "espuma ou cirurgia", mas espuma, endolaser ou cirurgia convencional, e em que situação cada uma faz sentido.
O que é a escleroterapia com espuma
A espuma densa é um esclerosante (em geral polidocanol) misturado com gás na hora do procedimento. Em vez de líquido, a gente injeta uma espuma que desloca o sangue de dentro da veia e entra em contato com toda a parede do vaso.
Na prática:
- A espuma é preparada na hora, na concentração adequada ao calibre da veia
- A punção é feita com agulha fina, guiada por ultrassom
- A espuma provoca uma reação inflamatória controlada na parede da veia
- A veia fecha, vira um cordão fibroso e o organismo reabsorve ao longo de semanas
Vantagens
- Feita no consultório, sem centro cirúrgico e sem internação
- Sem anestesia: só a picada da agulha fina
- Você sai caminhando e volta à rotina em 24 a 48 horas
- Sem cortes e sem cicatrizes
- Pode ser repetida para complementar o resultado
Limitações
- Chance maior de reabertura da veia em comparação com endolaser, principalmente em safenas calibrosas. Por isso pode exigir mais de uma sessão
- Manchas acastanhadas (hiperpigmentação) em uma parcela dos pacientes, que costumam clarear em meses, mas em alguns casos demoram mais
- Cordões endurecidos e sensíveis no trajeto da veia por algumas semanas
- Efeitos passageiros raros, como alteração visual ou dor de cabeça logo após a aplicação
O que é o endolaser
O endolaser (ablação térmica endovenosa) fecha a veia por dentro com uma fibra de laser, sob anestesia local tumescente e guia de ultrassom. Não tem corte, não tem internação e a pessoa vai para casa andando.
As diretrizes da Sociedade Europeia de Cirurgia Vascular (ESVS 2022) e do NICE colocam a ablação térmica como primeira escolha para a safena magna insuficiente, à frente da espuma e da cirurgia convencional. Nas principais séries, as taxas de fechamento da safena com endolaser ficam acima de 90% em seguimento de vários anos, enquanto a espuma em safenas calibrosas apresenta taxas de reabertura maiores.
E a cirurgia convencional?
A safenectomia (stripping) retira a safena por cortes na virilha e no tornozelo, com anestesia raquidiana ou geral, em centro cirúrgico. Foi o padrão durante décadas e continua sendo uma técnica válida em situações específicas, como veias muito tortuosas ou muito superficiais em que a fibra não passa.
O ponto é a recuperação: 7 a 14 dias de afastamento, mais dor, mais hematoma e cicatrizes. Por isso, quando o endolaser é tecnicamente possível, ele costuma ser preferido.
A Clínica VHG não realiza cirurgia convencional com cortes. Nossas opções para varizes são endolaser, espuma densa e escleroterapia ampliada, escolhidas conforme o mapeamento de cada perna.
Comparação direta
| Aspecto | Espuma | Endolaser | Cirurgia convencional |
|---|---|---|---|
| Onde é feito | Consultório | Consultório, anestesia local | Centro cirúrgico |
| Anestesia | Nenhuma | Local tumescente | Raqui ou geral |
| Cortes | Não | Não (punção com agulha) | Sim |
| Volta ao trabalho | 1 a 2 dias | Mesmo dia ou dia seguinte | 7 a 14 dias |
| Sessões | Pode precisar de mais de uma | Geralmente única | Única |
| Melhor indicação | Tributárias e veias calibrosas selecionadas | Safenas e vasos grossos | Casos em que a fibra não passa |
Quando a espuma é a melhor escolha
- Varizes tributárias (ramos da safena) de médio e grande calibre
- Complemento ao endolaser, tratando no mesmo plano as veias que o laser não alcança
- Varizes que voltaram depois de cirurgia ou de outro tratamento
- Veias perfurantes insuficientes em casos selecionados
- Pacientes com contraindicação a anestesia ou com risco cirúrgico alto
- Pessoas que não podem se afastar do trabalho
Quando o endolaser é a melhor escolha
- Safena magna ou parva com refluxo confirmado no Doppler
- Veias de grande calibre com trajeto retilíneo
- Sintomas importantes: dor, peso, inchaço, cãibras
- Doença avançada, com escurecimento ou endurecimento da pele, ou úlcera
- Quando você quer resolver a veia principal em uma única sessão
Na Clínica VHG, para safena magna insuficiente a primeira escolha é o endolaser. A espuma entra para tributárias, veias calibrosas e casos selecionados em que o laser não é possível ou não é necessário.
O que a gente faz na prática: tratamento combinado
Dentro do Modelo VHG™, a gente quase sempre combina técnicas, porque a doença venosa raramente está em uma veia só:
- Endolaser para a safena insuficiente, que é o eixo da doença
- Espuma densa para as tributárias calibrosas
- Escleroterapia ampliada para finalizar microvarizes e vasinhos, muitas vezes combinada com laser transdérmico
Tratar a origem antes da superfície é o que reduz a chance de recidiva precoce e o número total de sessões.
Como a decisão é tomada
Não é o paciente que escolhe entre espuma e laser no balcão. A decisão sai do mapeamento venoso:
- Doppler: quais veias têm refluxo, calibre, trajeto, presença de trombose antiga
- VeinViewer: veias nutridoras que alimentam microvarizes e vasinhos
- Condições clínicas: idade, doenças associadas, uso de anticoagulante, gestação
- Sua rotina: quanto tempo você pode parar
- Tratamentos anteriores
Na Clínica VHG, a avaliação inicial custa R$ 600 e inclui, no mesmo dia, o Doppler de planejamento e o VeinViewer. Você sai com o diagnóstico e o plano de cuidado definidos. Se quiser saber mais sobre o exame, leia como é o ecodoppler vascular.
Perguntas frequentes
A espuma dói?
A picada é de agulha fina e a espuma costuma arder menos do que o esclerosante líquido. O que existe é sensibilidade e um cordão endurecido no trajeto da veia nas semanas seguintes, sem impedir a rotina.
Quanto tempo dura o resultado da espuma?
A veia tratada, quando fecha, tende a não voltar. Mas a espuma tem uma taxa de reabertura maior que o endolaser em veias grandes, e a doença venosa continua existindo. Por isso o acompanhamento anual faz parte do tratamento.
Posso fazer espuma e depois precisar de endolaser?
Pode. Se a veia reabrir ou se a doença progredir, o endolaser continua possível. A espuma não inviabiliza tratamentos futuros.
Varizes podem voltar depois do tratamento?
Sim, com qualquer técnica. Nenhum médico honesto promete que nunca mais vai surgir uma variz, porque a predisposição é genética. O que a gente controla é tratar a origem, escolher a técnica certa e acompanhar.
Preciso de repouso?
Não. Depois da espuma, caminhada leve no mesmo dia. Depois do endolaser, caminhadas desde o primeiro dia e musculação de membros inferiores só após a reavaliação, em torno de 3 semanas.
Se você está em dúvida entre espuma, endolaser ou cirurgia, a resposta está no mapeamento das suas veias, não em uma regra geral. Agende sua avaliação na Clínica VHG, no RioMar Trade Center (Papicu), pelo WhatsApp (85) 99104-2483. Doppler e VeinViewer no mesmo dia, e um plano definido para o seu caso.